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A desnutrição na infância, indicada pelo
comprometimento severo do crescimento linear e/ou pelo emagrecimento
extremo da criança, constitui um dos maiores problemas
enfrentados por sociedades em desenvolvimento, seja por sua
elevada freqüência, seja pelo amplo espectro dos
danos que se associam a tais condições.
Estima-se que 38,1% das crianças menores de cinco anos
que vivem em paises em desenvolvimento padeçam de comprometimento
severo do crescimento e que 9,0% apresentem emagrecimento extremo.
A essas condições associam-se, entre outros danos,
o aumento na incidência e na severidade de enfermidades
infecciosas, as elevações das taxas de mortalidade
na infância, o retardo do desenvolvimento psicomotor,
dificuldades no aproveitamento escolar e diminuição
da altura e da capacidade produtiva na idade adulta.
No caso do sexo feminino, o retardo do crescimento na infância
determina mulheres adultas de baixa estatura, sujeitas a um
risco maior de gerar crianças com baixo peso ao nascer.
Estas, por sua vez, terão um maior risco de apresentar
retardo de crescimento e de produzir recém-nascidos de
baixo peso, o que caracteriza o efeito intergerações
da desnutrição.
A desnutrição ou, mais corretamente, as deficiências
nutricionais- porque são várias as modalidades
de desnutrição - são doenças que
decorrem do aporte alimentar insuficiente em energia e nutrientes,
ou ainda do inadequado aproveitamento biológico dos alimentos
ingeridos- geralmente motivado pela presença de doenças,
em particular doenças infecciosas.
Como todas as doenças, as deficiências nutricionais
podem ser diagnosticadas por meio de exames clínicos
e laboratoriais. Por serem, universalmente, mais vulneráveis
a deficiências nutricionais, as crianças são
habitualmente escolhidas como grupo indicador da presença
de desnutrição na população. Admitindo-se
que o percentual de crianças com retardo de crescimento,
a primeira e mais precoce manifestação de desnutrição
na infância, propicie uma excelente indicação
da magnitude da desnutrição em uma dada coletividade.
Artigo: Dr. Carlos Augusto Monteiro - Titular do Depto. de Nutrição
de Saúde Pública da USP.
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